Segunda-feira, Abril 14, 2008

Agora vai ficar tudo bem? Só porque eu acordei quase indiferente?

Ela chegava com poucas verdades, mas sempre estava acompanhada. Eu me sentia um pouco encabulado com aquela felicidade de mãos dadas; e eu de lágrimas atadas toda vez que eles entravam pela porta ou saíam dela como se fizessem parte de um movimento do vento outonal. Bordando uma queda de suicídio, eu vi seu sorriso mudar de lado, senti seus dedos esconderem o silêncio dele, perdi o rastro dos seus fios de cabelo amanhecidos pelo chão, a cor do esmalte manchado foi lavada, o resgate dos seus olhos apostou em outro porto e a única coisa que me restou foi o verso do seu corpo acenando um adeus.

Eu só entendi que ela pertencia ao desaparecimento quando eu acordei e vi a última fraqueza apaixonada ser indesejada. O vaso de flores, que imitava um pedaço da natureza, que imitava o nosso amor, apareceu separado no chão, caído de uma triste altura, entre terra, flor e plástico. Creio na mão de um vento outonal que me deixou do outro lado da promessa.

2 recados:

Cau disse...

Bonito, muito bonito.

Kátia Fernanda disse...

Isso tem cheiro de tarde de verão, seca...